Carlos Leite

O Carlos é um alumnus recente do DCC, onde completou dois ciclos: licenciatura e mestrado. Presentemente trabalha na Farfetch, a primeira startup unicórnio made in Portugal e a mais internacional plataforma de comércio online ligada ao setor da moda. A Farfetch tem escritórios em mais de 10 cidades espalhadas pelo mundo e mais de 2000 trabalhadores, sendo que o Carlos está na sua área de especialização, a Ciência de Dados, desenvolvendo o seu trabalha na equipa de recomendações.
 
Obrigado Carlos por teres aceite o nosso convite para falar um pouco sobre ti e sobre a tua passagem pelo DCC!
 
 
- Podes dar-nos um pouco de informação básica sobre ti? Por exemplo de onde és ou em que escolas andaste antes de vires para o DCC?
 
"Sou natural de Vila Nova de Famalicão e antes de vir para o DCC estudei no Externato Delfim Ferreira, no curso de Ciências e Tecnologias."
 
 
- Que curso fizeste no DCC e quando? Caso tenhas feito tese podes dizer-nos o tema e quem foi o teu orientador?
 
"Entre 2010 e 2016, completei no DCC a licenciatura e o mestrado em Ciência de Computadores. No âmbito da minha especialização, data mining e processamento de dados, concluí a minha tese, Domain Orienteded Biclustering Validation, sob a orientação do professor Luís Torgo. Na minha tese desenvolvi uma metodologia de avaliação de biclusters que é sensível ao domínio do utilizador. Essa metodologia permitiu que um grupo de biólogos conseguisse encontrar relações interessantes, e desconhecidas até à data, entre grupos de proteínas."
 
 
- Podes contar-nos um pouco do que tens feito desde que saíste do DCC? Em que empresa estás a trabalhar actualmente e em que funções? Como foi o teu percurso até chegares aqui? 
"Quando saí do DCC, em 2016, ainda eram poucas as empresas, de acordo com o meu conhecimento, que trabalhavam na área onde eu pretendia trabalhar - data science. Confesso que nem eu sabia muito bem qual o papel de um data scientist na indústria. Assim sendo, tive uma primeira experiência fugaz, no grupo Super Bock, que ajudou-me a entender o que é que pretendia. Depois disso candidatei-me a algumas empresas que tinham vagas em aberto para posições que estavam em linha com os meus interesses e perfil. A empresa que mais me cativou foi a Farfetch, onde estou a trabalhar desde Abril de 2017 como data scientist na equipa de recomendações."
 
- Podes contar-nos como a tua passagem pelo DCC contribuiu para o teu desenvolvimento não só do ponto de vista científico, mas também como pessoa?
"Cientificamente cresci muito. Quando no meu primeiro ano folheei a tese de um colega, confesso que fiquei assustado e um pouco apavorado, porque achava que nunca seria capaz de escrever algo com aquele rigor ou dar um contributo científico minimamente relevante. O tempo passou e, depois da licenciatura, decidi inscrever-me no mestrado em Ciência de Computadores e trabalhar numa tese. Claro que todo o processo (investigação, discussão e escrita) não foi fácil, mas senti-me preparado para o enfrentar. Senti que tinha as ferramentas necessárias para finalmente escrever uma tese. Foi aí que entendi que tinha, de facto, crescido imenso cientificamente. Hoje, no meu trabalho, sinto que aquilo que aprendi deu-me muitas bases. Também entendi a utilidade de algumas coisas que eu não achava muito relevantes para o meu futuro e que se revelaram fundamentais.
 
Como pessoa também cresci bastante. Alarguei os meus horizontes e ganhei mais resiliência. Também tornei-me mais humilde, uma vez que aprendi muito com os meus erros e isso foi fundamental em muitos momentos do meu percurso. Fez com que trabalhasse mais e com que sentisse mais fascínio pelas coisas que ia aprendendo."
 
 
- Do que mais gostaste no DCC e no teu curso? Quais são na tua visão os pontos fortes do Departamento que destacarias?
 
"Uma das coisas que mais gostei no DCC foi sem dúvida a coisa que menos gostei quando ingressei na licenciatura: o facto de ter de aprender os fundamentos que estão na base de muitas tecnologias e linguagens de programação. A verdade é que era impaciente e não compreendia qual era o objetivo de fortalecer as minhas bases em matemática ou física. Simplesmente não via como isso poderia-me ajudar no futuro. Claro que era uma visão ignorante e ingénua. 
 
O DCC ofereceu-me uma formação sólida e robusta, que me permitiu evoluir imenso e essa formação é uma das coisas que levarei para sempre. O facto de poder ler um artigo e compreender o que lá está, sugerir modificações e até continuar o trabalho de alguém é algo que me faz sentir bem no meu trabalho e que faz também com que consiga superar os desafios e concluir os objetivos que vão aparecendo. Tenho orgulho em ter estudado no DCC. 
 
Claro que toda essa formação não seria possível sem os professores, muitos deles incansáveis, e de alguns funcionários que, para mim, são como família."
 
 
 - Ainda te recordas de algum projecto, trabalho, unidade curricular ou desafio em particular que tenhas tido no teu percurso no DCC que tenha sido algo especialmente gratificante e que ainda hoje te recordas?
 
"Terminar a licenciatura e o mestrado no DCC foi gratificante. Isso também significa que foi desafiante, porque terminar um desafio sem dificuldade é apenas chato, na minha opinião. 
 
Foram muitas as unidades curriculares que foram desafiantes e que me tiraram fora da minha zona de conforto. O crescimento não acontece quando estamos na zona de conforto e, por isso, fui exposto a vários projetos, trabalhos e exames que contribuíram muito para o meu crescimento. Seria injusto enumerar alguma unidade curricular, porque em todas elas aprendi e cresci. Não vou dizer que gostei de todas, mas, mesmo as que menos gostei fizeram com que descobrisse o que é que gosto verdadeiramente. Com essas unidades curriculares também aprendi que tenho de ser flexível, versátil e adaptar-me a várias áreas em vez de fechar os meus horizontes. 
 
Porém, se tivesse de dizer qual foi o maior desafio, apesar de cliché, diria que foi a tese."
 
 
- Uma outra memória do DCC que ainda hoje leves contigo?
 
"Levo muitas memórias e seria impossível enumerar todas elas aqui. Desde conversas com professores, com funcionários e com amigos. Tenho uma série de memórias que levarei comigo para sempre."
 
 
- Mais alguma coisa que gostasses de acrescentar. Por exemplo, algo sobre a tua posição ou desafios atuais, ou um conselho para aqueles que possam estar agora a ingressar no ensino superior?
 
"No final do primeiro semestre, numa aula de introdução à programação, um colega que eu desconhecia até à data, perguntou se eu já tinha resolvido um determinado exercício. Disse-lhe que não e que também estava com dificuldades nesse exercício. Foi então que nos juntamos para descobrir a solução. Gostei muito da atitude positiva dele e o do facto de ele ser muito trabalhador e organizado. O tempo passou e ficamos amigos.  
 
Certo dia, saí de um exame triste e algo frustrado porque não tinha conseguido fazer o que queria. Ouvi também outros colegas a dizerem que o exame tinha sido fácil e que pouco ou nada tinham estudado. Foi aí que o Miguel disse-me algo que, de certo modo, mudou a minha vida e ajudou-me a ver as coisas de uma maneira muito diferente. Disse-me para não dar ouvidos a muitas das coisas que ouvia e que cada um tem o seu próprio método e percurso. Para não me comparar e que a única coisa que garantia bons resultados era muito trabalho e dedicação. Para não formular teorias erradas sobre unidades curriculares só porque algum colega dizia que não gostava de alguma coisa. Para além disso, alguém que obtém a classificação de 10 valores numa unidade curricular não está propriamente apto para dizer que a unidade é fácil. O Miguel disseme que apenas as pessoas que tiravam 20 é que o poderiam dizer e ele, um aluno com resultados fantásticos, nunca disse que nada era fácil. Apenas dizia que trabalho gera resultados e que com os resultados vem a motivação.  
 
Essa é então a mensagem que gostaria de deixar a quem está prestes a ingressar no ensino superior. A mensagem do meu amigo Miguel Tomé." 
 

LinkedIn do Carlos Leite: https://www.linkedin.com/in/carlosmagalhaesleite/

 

(29 de Junho de 2018)