Humberto Bastos, da licenciatura em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, criou uma plataforma de IA para promover o envelhecimento ativo.
Portugal é o segundo país europeu mais envelhecido, a seguir a Itália, e a solidão é uma realidade que afeta milhares de pessoas. A pensar nisso, Humberto Bastos, estudante do 1.º ano da Licenciatura em Inteligência Artificial e Ciência de Dados (L:IACD), da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), criou o Compy, uma plataforma de Inteligência Artificial para estimular cognitivamente idosos através da conversa, com o intuito de atrasar ou prevenir o aparecimento de doenças neurodegenerativas.
Apaixonado por IA, o jovem natural de Vale de Cambra quis usar esta tecnologia “de forma mais humana e com impacto real”. Quando estava a frequentar um curso no Instituto Superior Técnico em Generative AI, decidiu desenvolver esta plataforma e, inspirado pela empresa da mãe, que começou a investir na área de inteligência artificial, seguiu o seu sonho e entrou na L:IACD, que é também partilhada com a Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).
Humberto já tinha concorrido ao curso da FCUP, inscreveu-se Engenharia e Gestão Industrial, que era a sua segunda opção, mas decidiu congelar a matrícula e apostar em formações. “Todas estas experiências reforçaram o meu gosto por IA e motivaram-me a voltar a concorrer ao curso que sempre quis para consolidar bases e adquirir conhecimento sólido para desenvolver soluções inovadoras com forte impacto social”, destaca.
“Quanto mais aprendo, mais percebo o impacto gigante que esta tecnologia pode ter na vida das pessoas. Ainda há muito por inventar e melhorar, e isso motiva-me todos os dias. Quero fazer parte desta evolução, deixar a minha marca no futuro da tecnologia e desenvolver soluções que resolvam grandes problemas”, salientou, em entrevista ao Jornal de Negócios.
Compy: da validação nos Estados Unidos ao investimento
Para combater o problema da solidão, o estudante da FCUP criou um “companheiro” – daí o nome o “Compy”, virtual, para “não criar laços emocionais, mas sim estimular, acompanhar e reportar de forma útil e responsável”.
Desde o lançamento do Compy, no início do ano, Humberto tem tido oportunidade de apresentar esta tecnologia em eventos internacionais. Por exemplo, em fevereiro, deu a conhecer a aplicação na AI Cannes World Fair, uma das maiores feiras internacionais dedicadas à IA e, no verão, teve a oportunidade de passar mais de um mês num centro de inovação de tecnologia para idosos em Milwaukee, nos Estados Unidos, onde apresentou o conceito e validou esta tecnologia.
O feedback recebido tem sido extremamente positivo, tanto de especialistas em IA, neurociência, enfermagem e gerontologia, como dos próprios idosos que já interagiram com o protótipo.
Segundo o estudante, o foco principal desta plataforma é a acessibilidade. Por esse motivo, será desenvolvida também para funcionar diretamente na televisão através da box das operadoras, o equipamento mais familiar para os idosos, garantindo que, mesmo quem não tem smartphone ou competências digitais, consegue utilizar o Compy apenas através da voz.
Humberto Bastos está agora à procura de investidores para fazer do Compy uma realidade e quer iniciar testes piloto em IPSS. O objetivo é reforçar a equipa com desenvolvedores, médicos e psicólogos para o combate à solidão e reforço do envelhecimento ativo. Para que ninguém envelheça sozinho.
Por Renata Silva / FCUP
