alumni PD:CC IA

O chefe de Estado presidiu à cerimónia do prémio "Vencer o Adamastor", que distinguiu a tese de doutoramento de Sérgio Jesus sobre equidade e explicabilidade em inteligência artificial.


A cerimónia de entrega do prémio “Vencer o Adamastor” realizou-se, pela primeira vez, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), distinguindo a tese de doutoramento de Sérgio Jesus sobre inteligência artificial. Presidida pelo Presidente da República, António José Seguro, a sessão ficou marcada pelo alerta para os riscos da IA na democracia quando utilizada sem regras nem mecanismos de responsabilização.

“A democracia exige uma coisa muito simples, mas ao mesmo tempo muito difícil: que as decisões que afetam as pessoas possam ser compreendidas, contestadas e corrigidas pelas pessoas. Decisões controladas pelos seres humanos”, defendeu. 

Numa referência ao trabalho de Sérgio Jesus, autor da tese “Avaliação Robusta da Equidade e Explicabilidade em Inteligência Artificial”, o Presidente da República sublinhou que quando um algoritmo decide sem explicar o critério “não há responsabilidade”, uma das exigências para que haja democracia.  

“O risco maior não é a IA que decide mal, é a IA que decide mal e parece que decide bem”, afirmou. António José Seguro alertou para uma democracia que está “profundamente em risco” se a IA “seguir um caminho sem qualquer regra”. 


Um trabalho que contribui para o “aperfeiçoamento futuro da IA”

A investigação de Sérgio Jesus demonstrou que, mesmo quando desenhada com as melhores intenções e com supervisão humana, a IA pode tornar-se uma máquina de tirar conclusões precipitadas, amplificando preconceitos e levando a mais erros. O doutorado da FCUP criou uma metodologia de avaliação inspirada em ensaios clínicos e testou-a em larga escala com analistas profissionais de detecção de fraude.

Na visão do novo Reitor da Universidade do Porto, Pedro Nuno Teixeira, naquela que foi a sua primeira visita à FCUP no exercício do cargo, “a resposta perante a IA não deve ser dominada nem pelo medo nem pelo fascínio”. A atitude perante o “grande desafio societal e tecnológico que enfrentamos”, acrescenta, deve ser de “questionamento permanente”.  

Salientou em seguida o trabalho de Sérgio Jesus e a relevância da sua investigação como uma forma de contribuir para o “aperfeiçoamento futuro” da Inteligência Artificial, tornando o seu uso “mais responsável e mais ético”.  

Também presente na cerimónia, a Secretária de Estado da Educação, Ciência e Inovação, Helena Canhão ressalvou a importância da tese, realizada em ambiente empresarial com a forte colaboração da Feedzai, empresa na área da ciência de dados. “Reconhecemos o papel da Faculdade de Ciências e da Universidade do Porto pela abertura à sociedade e às empresas”, sublinhou.  


“Acreditamos no talento dos estudantes”

O doutorado da FCUP apresentou, durante a cerimónia, os resultados da sua tese, agora premiada, destacando o papel preponderante da equipa que o orientou: Rita Ribeiro e João Gama, docentes da FCUP e da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, respetivamente, ambos investigadores do INESC TEC e também Pedro SaleiroChief AI Officer da Opnova.  

Com entusiasmo e um sorriso no rosto, Sérgio Jesus recebeu o prémio — um cheque de 20 mil euros — e ouviu também os elogios da diretora da FCUP, Ana Cristina Freire: “É um exemplo de percurso único que, com esforço, dedicação e esperança, construiu o seu caminho”. “Na FCUP acreditamos no talento dos estudantes, proporcionando-lhes transformação diária, aceitando as suas dificuldades, incentivando os desafios, permitindo-lhes a descoberta de novas capacidades; estes retribuem-nos com a sua criatividade, resiliência e vontade de fazer a diferença”, ressalvou.

Para a diretora da FCUP, esta cerimónia teve um carácter "especial", em que se celebrou "mais do que um prémio”. “Celebramos a capacidade de enfrentar dificuldades, de transformar obstáculos em oportunidades e de seguir em frente quando o caminho parece mais exigente”, salientou. 

A FCUP deu assim um passo fundamental para ajudar a “vencer o Adamastor”, que é, hoje em dia, no entender do Presidente da República, o “algoritmo que decide sem explicar”.  

prémio Vencer o Adamastor é uma iniciativa do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) em parceria com o jornal PÚBLICO e distingue trabalhos inovadores de jovens cientistas na área das tecnologias de informação e comunicação que revelem não só excelência científica, mas também potencial para desenvolvimento económico.