O Rui Gouveia é licenciado em Ciência de Computadores e mestre em Engenharia de Redes e Sistemas Informáticos. Atualmente, assume a função de Senior Technical Support Engineer na Red Hat Openshift.
É sobre a sua experiência enquanto estudante do DCC-FCUP que deixa aqui o seu testemunho.
"O que posso dizer depois de 25 anos… o DCC foi uma das melhores decisões da minha vida!
O mundo das TI é extremamente efémero. O que estudamos hoje, em 10 ou 20 anos, já não é relevante. Quem se lembra do Lotus 123, WordStar, MS Office 95, ou do Novell NetWare? Melhor ainda, quem ainda usa isso?
Quando terminei a licenciatura, não existiam Virtualização, Cloud ou Containers. Considerando que estas são as tecnologias com que trabalho atualmente, como é que o DCC conseguiu ajudar-me ao longo de todos estes anos?
Fundamentos! Fundamentos! Fundamentos!
Tal como os pais dizem aos filhos para comerem os vegetais, os nossos professores ensinaram-nos os alicerces da tecnologia. Coisas como: como funcionam os processadores, como funcionam as redes, como é que os programas são executados, como é que os compiladores criam programas e muitos outros conceitos. Na altura, não fazíamos ideia porquê. Era difícil e, às vezes, parecia uma perda de tempo. Agora percebo… e não podia estar mais grato pelo valor que me foi transmitido.
Algumas instituições ensinam os alunos a usar produtos comerciais com interfaces gráficas fáceis de utilizar. Nós, não! Estávamos a explorar o funcionamento interno dessas tecnologias, apenas com a ajuda de uma velha e ultrapassada tecnologia chamada “livros”. É isso mesmo, houve um tempo em que não tínhamos Internet, nem Google, nem IA. Isso leva-me ao segundo grande benefício do ensino no DCC: 10% acontece na aula, 90% acontece em casa. Fomos incentivados a descobrir as coisas por nós próprios — uma competência que é, profissionalmente, a mais valiosa que se pode ter.
Isto ficou muito claro quando comecei a minha carreira no setor privado. Não tinha conhecimentos sobre nenhum produto comercial específico. No entanto, depois de um ou dois dias a ler a documentação, isso deixava de ser um problema. E quando surgia um problema numa camada abaixo da interface gráfica amigável? Aí, os antigos alunos do DCC dizem: “Deixa comigo!” e o trabalho fica feito.
Alguns aprendem como fazer as coisas funcionarem. Nós aprendemos como as coisas funcionam. Há uma grande diferença!
A nível pessoal, pouco depois de entrar no DCC, descobri o Linux, que aprendi e nunca mais abandonei. Isso levou-me até à empresa onde tenho o prazer de trabalhar atualmente, a Red Hat, a empresa líder mundial no fornecimento de soluções Linux para as maiores 500 empresas globais. De certa forma, o DCC também tornou possível a concretização do meu sonho profissional.
Obrigado, DCC!"
(Novembro 2025)