O Tomás Amorim é licenciado em Inteligência Artificial e Ciência de Dados. Atualmente é estudante do último ano do Mestrado em Inteligência Artificial. É sobre a sua experiência no M:IA que deixa aqui o seu testemunho.
"Após um primeiro processo de candidaturas complicado, lá ingressei na primeira ocorrência do Mestrado em Inteligência Artificial (M:IA), uma colaboração FEUP/FCUP-DEI/DCC. O motivo de tal turbulência: sub-representação de licenciados em Inteligência Artificial e Ciência de Dados (IACD), precisamente os primeiros com tal diploma. Fulcral para o bom arranque do mestrado seria uma massa estudantil propriamente capacitada para o que o plano de estudos se proponha a oferecer; igualmente fulcral para essa mesma massa estudantil seria dar continuidade à sua aprendizagem pioneira.
O M:IA era, certamente aquando da sua inauguração e muito provavelmente à data de escrita, a oportunidade única para os licenciados da L:IACD (e também da L:CC que se tenham especializado) aprofundarem os conhecimentos adquiridos em inteligência artificial e machine learning, já que nenhum outro mestrado no país daria uma continuação à aprendizagem.
O primeiro ano, dinâmico como seria de esperar, teve um processo demorado de arranque, de adaptação aos diversos currículos dos estudantes. A carga de trabalho exigida foi bastante, um fruto bastardo da cultura moderna do ensino superior e de um curso exigente. Existiu, contudo, sempre margem de manobra para os estudantes conciliarem a sua investigação, fosse esta pessoal ou profissional, com os projetos propostos. É verdade que há falta de margem para personalização de currículo, esta tem sido colmatada com a liberdade de abordagem nos trabalhos das UCs, mas espera-se que com a recorrência das UCs optativas disponíveis o leque de escolha se vá abrindo.
Em todo o caso, sou muito cliente da opção UPorto, seja procurando conhecimento na teoria da informação, noções de complexidade computacional ou até reflexões filosóficas sobre agência, tópicos fulcrais no desenvolvimento de IA. Um segundo ano de existência do M:IA vê, pelo menos aquando do primeiro semestre, as lacunas do primeiro serem colmatadas com inovação e seriedade. Toda esta bolha de entusiasmo da "IA" tem sido considerada com atenção pelo corpo docente que nesta nova etapa, das primeiras dissertações, trabalham para que o misticismo e novidade não se sobreponham à substância e relevância das teses a serem realizadas.
Da colaboração entre faculdades retira-se de melhor o rigor das Ciências aliado aos recursos das Engenharias. Em quatro anos de curso, a primeira oportunidade que eu e os meus colegas tivemos de trabalhar com robótica não simulada foi no M:IA pela parte do DEI/DEEEC (mesmo tendo integrado a equipa de futebol robótico da universidade e indo a competições internacionais). Tendo como objetivo profissional a robótica inteligente, este mestrado sempre foi a via que melhor me possibilitou assim enveredar.
Recordo em particular a satisfação dos meus colegas ao verem conceitos aprendidos na licenciatura séria e devidamente abordados nas cadeiras concebidas pelo DCC. Agora, com a mudança de sede do mestrado para o DCC, confio numa continuidade do processo de refinamento dos conteúdos do M:IA num ambiente vanguardista.
Acredito que o recurso mais valioso da universidade sejam de facto as pessoas, o corpo docente e estudantil. Neste aspecto, o M:IA está muito bem servido e apoiado por uma vasta rede interdisciplinar que nos faz chegar a nós estudantes palestras, projetos e contactos com as mais variadas entidades de interesse. Não obstante a esta rede de partilha, confesso que onde retirei os apontamentos de maior destaque foi junto dos meus colegas, dificilmente noutro lugar se encontraria uma concentração de diferentes personalidades a desbravarem, cada uma no seu sentido, um campo em tão rápida expansão.
De momento, preparo a minha dissertação em sistemas multi-agente com uma colaboração na universidade de Aalto no horizonte. Sem dúvida que esta oportunidade me escaparia não fosse estar inserido no ecossistema do M:IA. Esse ecossistema que não seria possível sem o esforço e interesse contínuo dos meus estimados colegas, camaradas "ratos de laboratório" que sempre lutaram para garantirmos um ensino de qualidade."
(Janeiro 2026)