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A Associação FAIL LOOP – Clube de Programação disponibiliza gratuitamente ferramentas online para que qualquer pessoa possa aprender a programar e desenvolver a sua criatividade.


O docente do Departamento de Ciência de Computadores (DCC) da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) Hugo Simões criou recentemente a Associação FAIL LOOP – Clube de Programação, uma iniciativa dedicada à divulgação de linguagens de programação e das suas aplicações, dentro e fora da Universidade do Porto.

A associação disponibiliza gratuitamente o código de um compilador de linguagem de programação e um motor de jogos, ferramentas que permitem a qualquer pessoa criar os seus próprios jogos através da programação. A proposta passa também por levar estas ferramentas para contextos educativos. “Os professores podem copiar para um browser o código de um jogo, por exemplo, e usá-lo com os seus alunos para ensinar a programar”, explica Hugo Simões.

Na base dos jogos desenvolvidos está um conceito simples: a criação de polígonos convexos de uma só cor, que podem depois ser rodados, movidos e animados até 30 vezes por segundo. A partir destes elementos básicos, é possível construir experiências interativas combinando programação, imagem e som.

Em 2017, Hugo Simões criou a linguagem de programação Prequel (Primitive RECursive driven programming Language). Mais recentemente, entre os dias 18 e 20 de setembro, levou à Maker Faire Porto, na Alfândega do Porto, um novo jogo interativo que reúne elementos analógicos e digitais.

O protótipo apresentado no evento era composto por quatro comandos analógicos, integrados em quatro discos de madeira com um código impresso. Através desses comandos, os jogadores podiam controlar as personagens do jogo AmoebaArena, visualizadas num ecrã colocado verticalmente sobre um portátil equipado com uma câmara.

“As pessoas ficaram surpreendidas porque viam que, ao mover os discos, se moviam também as amoebas no ecrã”, conta o docente do DCC. 


“When we fail, we try again (loop)”

A Associação FAIL LOOP – Clube de Programação pretende divulgar a programação junto de públicos de diferentes idades, promovendo a aprendizagem através da experimentação e da criatividade. “É fazer com que as pessoas possam adquirir uma nova competência pelo prazer de aprender”, destaca Hugo Simões.

“Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode aproveitar o poder de combinar uma linguagem de programação simples com habilidades de design gráfico e música com esta ferramenta online”, acrescenta.

Com o novo protótipo apresentado na Maker Faire Porto, o docente pretende também aproximar a programação do público sénior, explorando a relação entre movimento, jogo e tecnologia. “Os nossos jogos podem ter uma componente social e de bem-estar físico”, sublinha.

Para além da participação em eventos, a associação pretende dinamizar competições de programação e game jams que cruzem programação e música. O motor de jogos disponibilizado pelo projeto permite ainda utilizar diferentes formas de interação: além dos códigos lidos pela câmara, pode recorrer ao microfone, para detetar notas musicais, e a subprogramas, que permitem criar subtarefas, como bots ou agentes dentro do jogo.

O próprio nome da associação encerra um duplo significado. FAIL LOOP inspira-se, por um lado, na matemática subjacente à programação e, por outro, num jogo de palavras que procura transmitir uma mensagem sobre o processo de aprendizagem: aceitar o erro como parte natural desse processo e continuar a tentar. “Chama-se FAIL LOOP para abraçar as falhas que ocorrem naturalmente em qualquer processo de aprendizagem longo, reforçando sempre a importância de não desistir: when we fail, we try again (loop)”, explica Hugo Simões.

A iniciativa assenta, assim, na ideia de que limitações simples podem estimular a criatividade. “Acreditamos que a criatividade floresce num bom equilíbrio das várias limitações intencionalmente impostas pela linguagem e pelo motor de jogos, que são simples para facilitar o processo de criação”, remata. 


Por Renata Silva / FCUP